Atualidades e psicologia
Quais são os sinais de abuso sexual em crianças e adolescentes?
A família é a primeira linha de proteção, entenda os sinais de alerta e como agir.
Conforme a Organização Mundial de Saúde, a violência sexual configura-se como um dos mais graves e sérios problemas de saúde pública na atualidade. Por isso, torna-se necessário dar a atenção devida aos sinais que podem ser indicativos de que uma criança ou adolescente esteja passando por situações desse tipo — buscando que tais problemas não causem prejuízos ao desenvolvimento saudável da infância e da adolescência.
A família é figura fundamental na identificação desses sinais de alerta.
Sinais comportamentais
- Mudança repentina de humor e hábitos
- Retraimento ou extroversão incomum
- Agressividade sem causa aparente
- Retorno de comportamentos infantis já superados
- Medo e pânico inexplicáveis
A mudança, geralmente, acontece de forma imediata e inesperada.
Sinais emocionais
- Tristeza constante e choro frequente
- Ansiedade e angústia
- Baixa autoestima
- Sentimento de culpa ou vergonha
Comportamentos sexuais inadequados para a idade
- Interesse repentino por questões sexuais
- Brincadeiras de cunho sexual
- Uso de palavras ou desenhos que se referem às partes íntimas
Rendimento escolar
- Queda não justificada na frequência ou no desempenho escolar
- Dificuldade de concentração e aprendizagem
- Pouca participação em atividades escolares
- Tendência ao isolamento social
Silêncio predominante: o abusador costuma fazer ameaças de violência física e mental, além de chantagens, visando manter a vítima em silêncio
Uma criança que se fecha de repente pode estar com medo de falar.
Enfermidades psicossomáticas
- Problemas de saúde sem causa clínica aparente, como dor de cabeça, erupções na pele, vômitos e dificuldades digestivas, que na realidade têm fundo psicológico e emocional
Como a psicoterapia pode ajudar
Caso tais sinais sejam observados, torna-se indispensável a busca por ajuda psicológica com o objetivo de recuperação física, emocional e psicológica das vítimas. A psicoterapia será um mediador do impacto da violência ou abuso sexual sofrido na infância e adolescência, com os seguintes objetivos:
Proporcionar um contexto de escuta segura e acolhimento, para que a criança ou adolescente possa abordar as questões implicadas na situação de violência ou abuso sexual. Promover o controle e a redução de sintomas que possam ocasionar quadros de depressão, ansiedade e transtorno do estresse pós-traumático, além de identificar os danos emocionais e comportamentais decorrentes da violência. Trabalhar a elaboração do trauma, permitindo que a vítima ressignifique a experiência, buscando amenizar impactos em suas crenças, autoestima e autoimagem, com foco no resgate do senso de valor próprio, dignidade e na recuperação da autonomia emocional, além de promover a resiliência e a reconstrução da vida após a violência. Oferecer aconselhamento aos pais e responsáveis, orientando sobre como lidar com as consequências da violência ou abuso sexual, como fortalecer a relação com a criança e como criar um ambiente seguro e protetor. Atuar na prevenção da revitimização, buscando o fortalecimento emocional, a educação sobre direitos e limites ajuda a prevenir novas situações de abuso.
Um compromisso coletivo
É fundamental lembrar que, embora esse seja um tema delicado e doloroso, o enfrentamento da violência e do abuso sexual começa com a escuta atenta e o acolhimento das crianças e adolescentes. Se fazer presente, perceber mudanças e agir com responsabilidade e empatia pode fazer toda a diferença na vida de alguém que sofre em silêncio.
Pais, mães e responsáveis são peças-chave nesse processo de proteção e cuidado. Com atenção, empatia e informação, contribuímos para o desenvolvimento saudável e seguro das nossas crianças e adolescentes.
Psicóloga: Luciana Martins
CRP: 01/17692